Se a presidente Dilma Rousseff (PT) escapar do possível impeachment que está à porta, a maior dívida de gratidão dela não será com o Partido dos Trabalhadores. Será com o PCdoB e a deputada federal Luciana Santos, presidente nacional do Partido Comunista do Brasil.
Guardadas as proporções e tempos históricos, Luciana é para Dilma o que foi o então deputado Eduardo Campos (PSB) para o ex-presidente Lula na época do mensalão. Eduardo, grande aliado na época, fez a articulação a favor de Lula no Congresso ao lado do comunista Aldo Rebêlo. Foi o que rendeu a gratidão eterna de Lula aos dois.
De novo com Dilma, a articulação na hora mais dura não é do PT, inepto na arte do diálogo e da costura fina.
Veja o lançamento do Movimento Pró-impeachment na última quinta. Coube a Luciana, no dia seguinte, pegar seu telefone e ligar para políticos e siglas que ontem assinaram o manifesto contra o impeachment, escrito pelo PCdoB. A inércia do PT fez Luciana chamar a responsabilidade. Por isso ganhou a cabeceira da mesa no ato pró-Dilma, nesta terça (15).
Ao falar do assunto, Luciana evita generalizar as críticas. Parte da oposição, diz, acha descabido impeachment sem fato jurídico objetivo, apenas para reverter 2014.
O desfecho é incerto. Mas Luciana e o PCdoB mostram ter uma sensibilidade que o PT não tem. Para afastar de vez o impeachment, será precisa colher apoio na oposição, o que exige maturidade – e é impossível em um mundo eternamente do “nós contra eles”, como o do PT.
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