A crise financeira que há anos abala a USP e chegou no auge em 2014, altera folhas de pagamento, demite e impede a contratação de novos funcionários e congela obras de infraestrutura já em andamento, abala também à Unesp e Unicamp. Ambas as universidades passam por ações de cortes semelhantes às adotadas pela USP. Os reitores das três instituições de ensino temem que o repasse do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação (ICMS) possa diminuir ainda mais esse ano.
Laís Gouveia
Foto Montagem
Gestões tucanas promovem o sucateamento nas universidades públicas paulistas
O intenso sucateamento promovido pelo governo do estado com suas políticas privatistas, nos 20 anos de gestão tucana, vem transformando as universidades públicas paulistas em um cenário de caos e abandono. Os movimentos sociais, através das suas entidades denunciam o descaso com a educação em São Paulo.Para o corte orçamentário, a USP abarcou campus da Zona Leste e no Munícipio de Lorena, não contrata funcionários desde o ano passado, além de praticar a demissão voluntária. A Unicamp suspendeu novos contratos e suspendeu obras importantes para a infraestrutura. A Unesp, encerrou a progressão na carreira docente.
Gestão tucana gera cortes de verbas
Em 1989, o orçamento das universidades públicas em São Paulo passou a receber 9.57% da arrecadação do ICMS. Para a secretária Geral da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iara Cassano, a medida é considerada a base para a autonomia das universidades, mas a gestão tucana, ao longo dos anos, alterou esse mecanismo de forma negativa, “o governo do Geraldo Alckmin vem burlando a lei, pois o repasse que deveria ser feito a partir do valor total do ICMS vem sofrendo descontos. Hoje, o percentual da habitação repassado aos municípios, os valores referentes ao “parcelamento incentivado” (de imposto em atraso), o programa Nota Fiscal Paulista, entre outros, são descontados na base do cálculo do repasse de 9,57% para as universidades, tornando esse um grave problema para o orçamento”, afirma.
A dirigente estudantil aponta muitas semelhanças com o desmonte educacional promovido no Brasil nos anos 90, “a crise a qual o governo do PSDB submeteu as universidades estaduais de São Paulo é bem parecida com a que o ex-presidente tucano FHC submeteu as universidades federais em seu governo. Essa estratégia de sucatear as universidades faz parte do plano de dizer que o estado não deve arcar com gastos educacionais”, conclui.
O presidente dos Sindicatos dos Docentes da USP (Adusp), Francisco Miraglia, também cita a questão o repasse de verba como questão central para solucionar a crise, “não vamos pagar pela falta de planejamento e coragem para enfrentar o governo Alckmin” aponta o dirigente.
Crise pode contribuir para a evasão
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