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quinta-feira, 1 de abril de 2021

Auxílio Emergencial 2021: Você poderá saber se tem direito só a partir desta sexta 2

Pagamento será feito em quatro parcelas; benefício será de R$ 250 por família, com valores diferenciados para aquelas comandadas por mulheres que criam filhos sozinhas. Pessoas sozinhas vão receber R$ 150.



A consulta poderá ser feita pela página https://consultaauxilio.cidadania.gov.br/consulta/#/, informando o CPF, nome completo, nome da mãe e data de nascimento. Também poderá ser feita também pelos canais da Caixa: pelo auxilio.caixa.gov.br ou pelo telefone 111.

Acuado, Bolsonaro busca intimidação e Fracassa

Acuado, Bolsonaro busca intimidação e Fracassa Se Bolsonaro imaginou um golpe, conseguiu apenas mostrar-se incapaz
A história do Brasil já teve ex-militar que demonstrou extraordinária incompetência para executar um golpe: Luís Carlos Prestes, em 1935. Jair Messias Bolsonaro está um patamar acima do lendário líder comunista, que também chegou a capitão. Mostrou-se extraordinariamente incompetente até para imaginar um golpe. Um golpe é sempre uma ação que, no final das contas, depende de correlação de forças políticas (em sentido amplo) e militares (em sentido estrito) – e ambas de um momento apropriado, que é fluido por definição, embora possa ser “criado”. Bolsonaro ignorou tudo, leu errado os fatos da realidade e está sendo visto como palhaço que subiu ao trapézio no circo. Seis presidenciáveis assinam manifesto conjunto pró-democracia Ao contrário de outros candidatos a caudilho, Bolsonaro não criou qualquer movimento político consistente, organizado e capilarizado que pudesse minimamente seguir um comando. Para comparação, no seu auge o PT dispunha de sindicatos, organizações comunitárias, setores da Igreja Católica e substancial parte da intelectualidade prontos a atender ao que fossem as diretrizes do comando partidário. O presidente da República, Jair Bolsonaro não dispõe de nada remotamente parecido, talvez por ter caído no fetichismo tecnológico de que a espuma criada por redes sociais significa real capacidade de mobilização de forças políticas. No sentido mais estrito da “política”, não dispõe no tão importante Legislativo brasileiro de qualquer massa de manobra significativa que ele controle como quiser. Ao contrário: Bolsonaro é massa de manobra do Centrão, ao qual acabou de entregar a chave do cofre que o Planalto controlava. Se em algum momento Bolsonaro acreditou que tinha um Exército para chamar de “seu”, só um bom psiquiatra conseguiria explicar essa visão de mundo, pois, a partir da realidade dos fatos, o presidente jamais poderia ter feito essa afirmação. Bolsonaro ignorou completamente a evolução da doutrina e do pensamento dos comandantes militares nos últimos 35 anos, que pode ser resumida na ênfase que dão ao papel institucional e constitucional das Forças Armadas, além do empenho em profissionalismo, hierarquia e disciplina. No episódio da demissão do Ministro da Defesa e seus comandantes militares, Bolsonaro acabou de destruir o pouquíssimo respeito que os oficiais superiores ainda nutririam por ele. Alguns já se referiam ao capitão como “ladrãozinho”, pois tiveram de sobreviver décadas apenas a partir de seus soldos e olham com nojo o esquema de “rachadinhas” no qual a família está envolvida. É fato que os oficiais superiores abominam a tentativa de politização das Forças Armadas, mas o que mais criticam em Bolsonaro é o que identificam como incapacidade de liderança e comando. Não é à toa que circulam entre militares nos últimos dias textos relembrando uma das grandes aventuras do século passado, a do navio “Endurance”, cuja tripulação sobreviveu a partir de 1915 a 22 meses de indescritíveis dificuldades no gelo da Antártica e acabou sendo salva pela capacidade de liderança e decisão de seu comandante – um exemplo de chefe dedicado a seus subordinados, exatamente o que os generais, almirantes e brigadeiros não enxergam em Bolsonaro. Por último, Bolsonaro ignorou também o “momento”, que lhe é desfavorável. A pandemia conduziu o País a um tipo de comoção plenamente justificada, a economia está sendo ainda mais abalada, as elites empresariais abandonaram o governo, o Centrão tomou conta do que lhe interessa e fez de Bolsonaro um ente subordinado. Tudo isso fora o STF. Talvez ele esteja sendo assessorado por conselheiros políticos e pessoais que mais parecem saídos da clássica comédia do cinema italiano L’armata Brancaleone (em Portugal o título ficou mais sugestivo: Capitão Brancaleone), de 1966. É um bando de malucos e mercenários, na Idade Média, incapaz de planejar e concluir qualquer ação. Pode ser que confiem num final igual ao do filme, quando milagrosamente são salvos de serem empalados.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Fachin pede manifestação de Janot sobre recurso do PSOL para investigar Temer

O partido discorda da visão da PGR de que presidentes contam com "imunidade temporária"
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin (Foto: Nelson Jr/SCO/STF)
         O Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que se manifeste sobre um recurso do PSOL que pede a inclusão do presidente Michel Temer (PMDB) como investigado em um dos inquéritos abertos com base nas delações da Odebrecht. O partido discorda da alegação da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que presidentes contam com "imunidade temporária" e afirma que é possível investigá-lo.
O inquérito em que o PSOL entrou com recurso vai apurar pagamento de vantagens indevidas em um processo licitatório que o Grupo Odebrecht participou dentro do Plano de Ação de Certificação em Segurança, Meio Ambiente e Saúde (PAC SMS).
O único investigado é o senador Humberto Costa (PT-PE), mas o ex-presidente da Odebrecht Engenharia Industrial Márcio Faria da Silva detalhou um encontro no escritório político de Temer, em Alto de Pinheiros, em São Paulo, em 15 de julho de 2010, em que afirma ter sido acertado pagamento de propina de US$ 40 milhões ao PMDB - valor era referente a 5% de contrato da empreiteira assinado com a Petrobras, que totalizava US$ 825 milhões.
Mesmo havendo citações a Temer, Janot alegou "impossibilidade de investigação do presidente da República, na vigência de seu mandato, sobre atos estranhos ao exercício de suas funções", com base no artigo 86, parágrafo 4º, da Constituição Federal.
Fachin, no despacho em que autorizou a abertura do inquérito, não chegou a analisar a argumentação da PGR sobre a não inclusão de Temer no rol de investigados. Apenas chancelou o pedido apresentado em relação ao senador, que nega qualquer irregularidade.
O PSOL quer a revisão e inclusão de Temer como investigado. O partido sustenta que "a imunidade prevista pela Constituição Federal à responsabilização de Presidente da República por ato estranho ao exercício de suas funções não alcança a fase pré-processual" e afirma que um arquivamento referente a Michel Temer "causa inequívoco prejuízo ao direito de toda a população brasileira" de "ver devidamente apurada a existência de infração penal".
Outro lado
Por meio de nota já divulgada, o Palácio do Planalto reforçou que Temer jamais tratou de "negócios escusos". "Como reiterado em outras ocasiões, o presidente contesta de forma categórica qualquer envolvimento do seu nome em negócios escusos." O texto diz ainda que Temer "nunca atuou em defesas de negócios particulares, nem defendeu pagamentos de valores indevidos a terceiros".
Em vídeo publicado nas redes sociais do Planalto no último dia 13, Temer admitiu que participou de uma reunião, em 2014, com Marcelo Odebrecht, mas nega que tenha solicitado propina. "A mentira é que nessa reunião eu teria ouvido referência a valores financeiros ou a negócios escusos da empresa com políticos", afirma o peemedebista no vídeo.
A defesa de Humberto Costa também nega irregularidades.
"O senador, que espera a conclusão de inquérito aberto há mais de dois anos pelo STF, e para o qual a Polícia Federal já se manifestou em favor do arquivamento, aguarda ter acesso aos novos documentos para reunir as informações necessárias à sua defesa.
O senador, que já abriu mão de todos os seus sigilos, se coloca, como sempre fez, à disposição das autoridades", diz em nota.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Pesquisa CNT/MDA confirma Datafolha: Lula dispara para 2018

A pesquisa da CNT/MDA confirma o que o Datafolha já tinha detectado.
Lula cresceu. E não foi pouco. A pesquisa anterior da CNT, de outubro do ano passado, mostrava Lula com 11,4% na espontânea e 24,8% na estimulada. A pesquisa de agora mostra Lula com 16,6% na espontânea e 30,5% na estimulada.
Aécio caiu para quarta posição, atrás de Bolsonaro e Marina Silva.
O único candidato que está crescendo, além de Lula, é Bolsonaro.
***
Abaixo, os números da pesquisa 133, da CNC/MDA, divulgada hoje, 15/02/2017.
CONJUNTURAIS
Eleição presidencial 2018
1º turno: Intenção de voto espontânea
Lula: 16,6%
Jair Bolsonaro: 6,5%
Aécio Neves: 2,2%
Marina Silva: 1,8%
Michel Temer: 1,1%
Dilma Rousseff: 0,9%
Geraldo Alckmin: 0,7%
Ciro Gomes: 0,4%
Outros: 2,0%
Branco/Nulo: 10,7%
Indecisos: 57,1%
1º turno: Intenção de voto estimulada
CENÁRIO 1: Lula 30,5%, Marina Silva 11,8%, Jair Bolsonaro 11,3%, Aécio Neves 10,1%, Ciro Gomes 5,0%, Michel Temer 3,7%, Branco/Nulo 16,3%, Indecisos 11,3%
CENÁRIO 2: Lula 31,8%, Marina Silva 12,1%, Jair Bolsonaro 11,7%, Geraldo Alckmin 9,1%, Ciro Gomes 5,3%, Josué Alencar 1,0%, Branco/Nulo 17,1%, Indecisos 11,9%
CENÁRIO 3: Lula 32,8%, Marina Silva 13,9%, Aécio Neves 12,1%, Jair Bolsonaro 12,0%, Branco/Nulo 18,6%, Indecisos 10,6%
2º turno: Intenção de voto estimulada
CENÁRIO 1: Lula 39,7%, Aécio Neves 27,5%, Branco/Nulo: 25,5%,
Indecisos: 7,3%
CENÁRIO 2: Aécio Neves 34,1%, Michel Temer 13,1%, Branco/Nulo: 39,9%,
Indecisos: 12,9%
CENÁRIO 3: Aécio Neves 28,6%, Marina Silva, 28,3%, Branco/Nulo: 31,9%,
Indecisos: 11,2%
CENÁRIO 4: Lula 42,9%, Michel Temer 19,0%, Branco/Nulo: 29,3%,
Indecisos: 8,8%
CENÁRIO 5: Marina Silva 34,4%, Michel Temer 16,8%, Branco/Nulo: 35,2%,
Indecisos: 13,6%
CENÁRIO 6: Lula 38,9%, Marina Silva 27,4%, Branco/Nulo: 25,9%,
Indecisos: 7,8%
***
Abaixo, os números da pesquisa número 132, feita em outubro de 2016
CONJUNTURAIS
Eleição presidencial 2018
1º turno: Intenção de voto espontânea
Lula: 11,4%
Jair Bolsonaro: 3,3%
Aécio Neves: 3,1%
Michel Temer: 3,0%
Marina Silva: 2,4%
Geraldo Alckmin: 1,9%
Ciro Gomes: 1,5%
Dilma Rousseff: 1,5%
Outros: 3,0%
Branco/Nulo: 10,6%
Indecisos: 58,3%
1º turno: Intenção de voto estimulada
CENÁRIO 1: Lula 24,8%, Aécio Neves 15,7%, Marina Silva 13,3%, Ciro Gomes 7,4%, Jair Bolsonaro 6,5%, Michel Temer 6,2%, Branco/Nulo 16,9%, Indecisos 9,2%
CENÁRIO 2: Lula 25,3%, Marina Silva 14,0%, Geraldo Alckmin 13,4%, Ciro Gomes 8,4%, Jair Bolsonaro 6,9%, Michel Temer 6,1%, Branco/Nulo 16,1%, Indecisos 9,8%
CENÁRIO 3: Lula 27,6%, Aécio Neves 18,9%, Marina Silva 16,5%, Jair Bolsonaro 7,9%, Branco/Nulo 19,6%, Indecisos 9,5%
2º turno: Intenção de voto estimulada
CENÁRIO 1: Aécio Neves 37,1%, Lula 33,8%, Branco/Nulo: 23,7%,
Indecisos: 5,4%
CENÁRIO 2: Aécio Neves 38,2%, Michel Temer 16,4%, Branco/Nulo: 35,9%,
Indecisos: 9,5%
CENÁRIO 3: Aécio Neves 35,4%, Marina Silva, 29,5%, Branco/Nulo: 28,0%,
Indecisos: 7,1%
CENÁRIO 4: Lula 37,3%, Michel Temer 28,5%, Branco/Nulo: 27,8%,
Indecisos: 6,4%
CENÁRIO 5: Marina Silva 38,1%, Michel Temer 23,7%, Branco/Nulo: 30,2%,
Indecisos: 8,0%
CENÁRIO 6: Marina Silva, 35,8%, Lula 33,2%, Branco/Nulo: 25,5%,
Indecisos: 5,5%

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

FHC defende Lula e diz:”Presidente da República não sabe de tudo o que acontece”, Moro fica sem reação

Do 247 Com Informações de Leonardo Medeiros.

 – Em novo vídeo, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Lula, comentou o primeiro dia dos depoimentos de defesa na Lava Jato.
No mais importante, ele diz que FHC desmontou as acusações contra Lula, não apenas por confirmar que seu acervo presidencial também foi mantido por doações privadas, como também por afirmar ao juiz Sergio Moro que, num presidencialismo de coalizão, é importante manter e ampliar uma base de apoio político.
"O que o MP viu como um projeto criminoso de poder, contra Lula, foi apontado por FHC como algo natural e necessário no modelo político brasileiro", afirmou.
Leia, ainda, nota da defesa de Lula sobre o primeiro dia de depoimentos:
Os depoimentos das 6 testemunhas de defesa ouvidas hoje (9/2/2017) na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba destroem a linha central da acusação feita pelo Ministério Público Federal contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ação relativa ao "triplex" e ao acervo de objetos recebidos durante seus dois mandatos presidenciais. Tal como ocorreu na oitiva das 27 testemunhas de acusação, os relatos de hoje confirmam que a denúncia não passa de um enredo de ficção.
Quando questionado a respeito de Nestor Cerveró ter dito em sua delação que recebeu propina por negócios feitos na Petrobras durante o seu governo, o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que "nenhum presidente tem como saber de tudo". Mencionou ter tido conhecimento - e ter tomado providências - de casos de irregularidades pontuais na companhia e que nunca soube da existência de um cartel atuando no setor. Afirmou haver "muita maledicência", e um presidente não pode levá-las ao pé da letra.
FHC disse ter sido eleito em 1994 por uma coalizão de partidos que isso é intrínseco ao sistema político brasileiro de presidencialismo de coalizão. Também disse que em princípio havia 184 deputados federais eleitos pela coalização dos partidos e esse número foi sendo ampliado a partir de sua posse. Cai, assim, por terra a tese do MPF de que ampliação da base parlamentar no governo Lula faria parte de um projeto criminoso de poder. Nenhum presidente, diz FHC, consegue governar se não fizer alianças e conseguir ampla maioria para aprovar seus projetos.
FHC também reconheceu ter recebido muitos presentes de chefes de Estado, além de documentos e correspondências do Brasil e do mundo e que isso integra seu acervo, entregue ao final do mandato, exatamente como ocorreu com Lula. Mas nunca foi por isso questionado pelo TCU e pela Justiça.
A testemunha Danielle Ardaillon, que trabalha com  FHC desde a década de 70 e é curadora de seu acervo avalia que a lei 8394/91 é omissa, mas é o único marco a disciplinar o acervo presidencial. A lei diz que os bens são privados, mas de interesse público, não sendo específica quanto ao que deve ou pode ser feito com os objetos. 
O mesmo critério é usado para a catalogação dos presentes recebidos por todos os presidentes, material que é manuseado por equipe interna profissional e especializada, da Presidência da República. Segundo Ardaillon, o objeto recebido muitas vezes nem passa pelas mãos do presidente indo direto para o departamento especializado avaliar e catalogar, estabelecendo o que é diferenciado e pode ser relevante para a cultura de um país. Ela registra como fato curioso que, muitas vezes, o que é recebido e tido como muito importante, encontra-se nos acervos dos vários chefes de Estado de outras nações, a exemplo dos quadros com que o Vaticano costuma presentear os visitantes.
O depoimento do empresário Emerson Granero encerrou a audiência, destruindo outra tese da denúncia do MPF -- a de que teria havido um contrato dissimulado para ocultar pagamento com origem ilícita feito pela OAS para o armazenamento de parte do acervo de Lula. Granero disse que Lula não participou de qualquer etapa da contratação e que a contratação seguiu padrão normal de sua empresa, sem que houvesse qualquer pedido de sigilo ou de ocultação da construtora que, naquele momento, estava ajudando a armazenar o acervo. Disse também que os erros relativos à descrição dos bens guardados foram cometidos pela própria Granero, sem a responsabilidade de qualquer pessoa do Instituto Lula ou da OAS.

"ASSISTA NA ÍNTEGRA"

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Liminar suspende nomeação de Moreira Franco


Uma liminar acaba de suspender a nomeação de Moreira Franco como ministro de Michel Temer. A decisão é do juiz Eduardo Rocha Penteado, numa ação popular movida por estudantes da Universidade de Brasília.
“É dos autos que Wellington Moreira Franco foi mencionado, com conteúdo comprometedor, na delação da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato. É dos autos, também, que a sua nomeação como Ministro de Estado ocorreu apenas três dias após a homologação das delações, o que implicará na mudança de foro. Sendo assim, indícios análogos aos que justificaram o afastamento determinado no Mandado de Segurança nº 34.070/DF se fazem presentes no caso concreto”, argumenta o juiz.
Moreira Franco teve o nome citado na delação premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, que o acusou de ter recebido dinheiro para defender os interesses da empreiteira. Com a nomeação, os processos que correm contra Moreira Franco sairiam das mãos do juiz Sérgio Moro, e passariam para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Polêmica
A nomeação gerou questionamentos. No ano passado, a então presidente Dilma Rousseff tentou nomear o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao cargo de ministro-chefe da Casa Civil, mas o STF suspendeu a nomeação.
Em cerimônia de posse no Palácio do Planalto, na última sexta-feira (3), Temer  negou que a intenção fosse blindar Moreira Franco. Argumentou que ele já costumava ser chamado de ministro no meio político e chegou a chefiar delegações ministeriais em viagens internacionais. “Se trata apenas de uma formalização, porque na realidade Moreira já era ministro desde então”, disse Temer, ao discursar na cerimônia.
Após tomar posse Moreira Franco também negou a suposta manobra para conseguir a prerrogativa de foro privilegiado. Ele argumentou que a secretaria-geral foi erguida ao status de ministério para “robustecer a Presidência”. Questionado se as circunstâncias envolvendo sua nomeação eram parecidas com as da episódio da nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil no governo Dilma, Moreira Franco disse que a situação dele é diferente, por já fazer parte da equipe do presidente Michel Temer, e negou ter pedido para ser nomeado.
“Há uma diferença muito grande das tentativas que foram feitas no passado nesse sentido para o que está ocorrendo aqui hoje. Eu estou no governo, eu não estava fora do governo, venho cumprindo sem ter necessidade, até por uma solicitação minha, de não dar status de ministro ou de ministério à Secretaria”, disse.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Os rolos por trás do presente bilionário às teles

Kassab
O ministro de Comunicações, Gilberto Kassab, age em nome da ideia de venda da Oi (Beto Brata/PR)


Às vésperas do Natal, o Congresso e o governo prepararam um presente às companhias de telefonia fixa de dar inveja ao mais generoso Papai Noel. Tentaram mudar a lei para que elas não tenham mais de pagar para explorar o serviço público nem aceitar metas de atendimento aos brasileiros, muito menos devolver, ao fim dos contratos em 2025, o patrimônio público alugado nos leilões de 1998.
Em troca, promessas de investimento em banda larga. É verdade que o fone fixo perdeu espaço devido aos celulares, enquanto a internet veloz é mais demandada. O plano tramado em Brasília significa, porém, doar bilhões às teles, e numa área vital à soberania nacional. “Crime de lesa-pátria”, segundo o senador Roberto Requião.
Por trás do escandaloso plano, por ora no aguardo de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre sua sanção pelo presidente Michel Temer, esconde-se um enredo ao qual o senador reservaria palavras parecidas.
Tabela 1
A tabela do TCU mostra queda nos bens reversíveis da Oi

O “presente” ajudará a acobertar fracassos e malfeitos da Oi, a maior operadora de telefonia fixa do País, e falhas do órgão público regulador do setor, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Nos termos defendidos pelo ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, e o presidente da Anatel, Juarez Quadros, a reviravolta nas regras facilitará a venda da Oi, dona de prejuízos acumulados de 10 bilhões em 2014 e 2015, de uma dívida de 65 bilhões e de um pedido de recuperação judicial.
Anatel
Ao lado no ministro, o presidente da Anatel também age em favor da venda da empresa, que pode render 65 bilhões (Fabio Rodrigues e Pozzebom/Agência Brasil)
Com o fim dos contratos de concessão na telefonia fixa, repletos de obrigações às empresas, como levar serviço a áreas pobres, e sua substituição por meras autorizações da Anatel, quase um livre-mercado, a empresa se tornaria mais atraente para eventuais compradores.
Quem acompanhou debates na Anatel sobre alterações regulatórias garante: a proposta em curso foi talhada para resolver o pepino da Oi. Decretar intervenção na empresa é tudo que o governo e setores parlamentares desejam evitar.
Entre os acionistas da companhia, há personagens com boas relações com o poder, casos de Sérgio Andrade e sua empreiteira Andrade Gutierrez, doadora de campanhas e na mira da Operação Lava Jato.
A atratividade da Oi aumentaria ainda graças a outra modificação legal armada em Brasília. Uma novidade cobiçada por todo o setor, a tratar dos chamados “bens reversíveis”, um tema polêmico. Quando as teles arremataram partes da Telebras, toparam devolver no futuro aqueles bens essenciais ao serviço, como antenas, cabos e prédios, melhorias incluídas.
Uma devolução “automática”, diz a Lei Geral de Telecomunicações de 1997. Está na LGT, mas é uma situação normal em concessões. Quando uma hidrelétrica é entregue à exploração privada por prazo determinado, volta no fim do acordo para o governo, que pode fazer nova licitação. Idem para uma rodovia. 
As teles não gostam da ideia detalhada nos contratos. Manejaram como quiseram esse patrimônio ao longo do tempo e pouco foram importunadas pela Anatel. As mudanças negociadas em Brasília acabam com a restituição automática. Fica tudo para as teles.
É outra mãozinha para ajudar a achar interessado na Oi. Dados da Anatel indicam que o total de bens reversíveis era de 105 bilhões de reais em 2013, conforme declarações das empresas. Eis uma noção do tamanho do “presente” às teles. Metade da bolada, 51,9 bilhões de reais, está sob a guarda da pré-falimentar companhia.
Sérgio Andrade, acionista da Oi, vale-se de suas boas relações com o governo (Paula Giandalia/Valor/Agência O Globo)
O presidente da Anatel tem dito que os bens reversíveis não passam de 17 bilhões de reais, seria esse o valor incluído pelas companhias em seus balanços. Um patrimônio que logo virará um “mico”, segundo Quadros, devido à decadência da telefonia fixa.
Com declarações assim, em que joga contra o interesse público e a favor do privado, faz jus a uma placa de 9 de setembro de 2014, obra da Telebrasil, a Associação Brasileira de Telecomunicações, a homenageá-lo com o título de “associado honorário, pelos serviços de notável mérito em prol das telecomunicações”.
A diferença de 80 bilhões de reais entre declarações das empresas e inscrições em balanços talvez tenha outra explicação. Há pistas de uma verdadeira dilapidação de bens reversíveis (patrimônio públicos) por parte das companhias, com a conivência do órgão regulador.
De 2011 a 2013, o patrimônio reversível da Oi encolheu em 10,5 bilhões de reais, uma constatação da Anatel. Instada a se pronunciar, a empresa alegou ter feito “exclusão de itens não localizados no processo de inventário”. O Tribunal de Contas da União (TCU) não ficou convencido. Em um relatório de 2015, cobrou da agência a apuração do bilionário sumiço, até hoje inconclusa. E há mesmo razões para suspeitar que a explicação seja outra.
Fiscalizações anteriores e sigilosas da Anatel descobriram que a Oi vendeu bens reversíveis de forma irregular. As alienações só poderiam ter ocorrido com autorização prévia da agência, após uma análise do impacto na prestação do serviço.
E o dinheiro arrecadado deveria ir para uma conta específica, destinada a suprir consequências no serviço. CartaCapital teve acesso a alguns desses relatórios, como o 0074/2009/ER02FS, a mirar a Telemar, nome original da Oi, e o 050/2010/ER02FS, a botar lupa na Brasil Telecom, agora incorporada à Oi. 
O objetivo das fiscalizações era o mesmo, averiguar o controle dos bens reversíveis, e as conclusões idem. Um festival de infrações. A ação na Telemar durou de março a julho de 2009. Os fiscais identificaram 1.026.311 bens vendidos entre 2002 e 2007 sem anuência prévia. E que recursos obtidos com as vendas não foram para as contas específicas.
Idêntica situação na Brasil Telecom, alvo de dezembro de 2009 a dezembro de 2010. As duas empresas foram multadas e sofreram procedimentos de apuração de responsabilidades, os chamados Pados, de resultados desconhecidos.
A dilapidação dos bens reversíveis não é exclusividade da Oi, mas uma prática setorial, como indicam outras fiscalizações confidenciais. A Telefônica (ex-Telesp) foi alvo de outubro a dezembro de 2008. As infrações encontradas, como a alienação sem aval de 51 bens em 2008, estão descritas no relatório 0020/2010/ER01FB.
A Embratel (Claro) esteve sob olhar dos fiscais de novembro de 2009 a abril de 2010 e, entre outras, cedeu à Justiça 5.074 bens sem informar que se tratava de bens reversíveis, segundo o relatório 0027/2010/ER04FS.
Tabela 2
As companhias não teriam se esbaldado dessa forma sem a conivência da Anatel. É o que se pode concluir de uma auditoria interna da agência de 2007, uma auditoria de 2015 do TCU e uma sentença judicial de 2012.
A auditoria interna ocorreu de outubro a novembro de 2007, conforme o relatório 011/2007/AUD. Houve quatro constatações. Ausência de uma relação de bens reversíveis com dados da época da privatização, falta de fiscalização, lapso regulatório entre 1998 e 2006 e fragilidade de um regulamento baixado em 2006.
Essa última norma definiu o procedimento de controle dos bens. As empresas deveriam manter um inventário atualizado deles e mandar à Anatel todos os anos uma listagem. O regulamento respaldou as fiscalizações sigilosas. Até então, de 1998 a 2005, a agência não tinha feito nada, o que facilitou dilapidações.
A inoperância deu-se por duas razões, “descaso” e “descumprimento reiterado” das obrigações da Anatel, conforme uma auditoria de 2015 do TCU a respeito da atuação da agência no controle dos bens reversíveis de 1998 a 2014.
O relatório mereceu um pedido de reconsideração pela Anatel. Segundo o documento, de 2007 a 2014, houve 124 pedidos de anuência de venda encaminhados pelas empresas à agência. Um número “incoerente”, pois em boa medida partia das empresas menores, segundo a própria agência.
A norma de 2006 foi contestada em 2008 pelas teles, por exigir que a listagem de bens fosse acompanhada do parecer de uma auditoria independente. Só que essa turma independente não estava disposta a botar a digital na cumbuca.
A Anatel atendeu ao pedido e topou rever o regulamento, processo em aberto até hoje. Em 2009, uma canetada de seu presidente de então, Ronaldo Sardenberg, liberou as empresas para vender bens reversíveis sem anuência prévia em transações de até 750 mil reais.
Rogério Santana
Rogério Santana. 'A mudança pretendida na regulação da telefonia fixa é uma doação mais escandalosa do que foi a privatização' (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Um estímulo ao fracionamento do patrimônio reversível. Desmembrar foi uma das técnicas usadas na dilapidação, juntamente com a terceirização. É o que diz uma papelada sigilosa da Anatel enviada pelo Ministério das Comunicações à Câmara em 2011, sob o Ofício 79/2011, em resposta ao requerimento de informações 616/2011. Criar uma empresa com o mesmo nome mas outro CNPJ  – ou seja, fazer-se laranja de si mesmo  –  foi outra técnica. Aconteceu com uma das gigantes do ramo. 
A partir de 2012, a Anatel passou a divulgar na internet a lista dos bens reversíveis recebida das companhias. Há quem ache pouco. Uma ação civil pública da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) contra a Anatel e o governo tenta obrigar a agência a incluir como anexo dos contratos de concessão um inventário de todos os bens reversíveis existentes em 1998 e atualmente.
“A ausência do inventário”, diz a ação, permite que “a Anatel e as concessionárias defendam teses esdrúxulas para tentar convencer de que a apropriação de recursos públicos pela iniciativa privada tem respaldo legal.”
 Em julho de 2012, o juiz federal João Luiz de Souza, da 15a Vara Cível de Brasília, deu ganho à Proteste. Uma sentença desconcertante para os réus, que recorreram. “A Anatel, por falta de conhecimento dos bens, cuja responsabilidade de regulamentação e monitoramento lhe compete, encontra-se em situação de total descontrole dos bens reversíveis, pondo em risco não só a reversibilidade desses bens ou seus substitutos ao patrimônio público como, também, a continuidade da prestação do serviço, permitindo a dilapidação desse patrimônio necessário a esse serviço.” O descontrole seria tanto, na visão do juiz, que não se poderia descartar a hipotética situação de uma concessionária vender tudo de uma hora para outra e a telefonia fixa ficar muda.
A Anatel costuma invocar “sigilo” para responder por que jamais requisitou o inventário completo dos bens da Telebras, depositado no Arquivo Nacional. O material seria “confidencial”. Argumento conveniente, pois ajuda a Anatel a defender-se mais facilmente de acusações sobre vista grossa quanto ao destino dado aos bens da Telebras.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso agradece. O tucano orgulha-se de ter arrecadado 22 bilhões de reais com um leilão que tinha valor mínimo de 13 bilhões. O balanço de 1997 da Telebras, o último pré-privatização, está no Arquivo Nacional. CartaCapital teve acesso. Mostra que o patrimônio da Telebras era de 31,987 bilhões de reais, 10 bilhões a mais do que o arrematado por FHC.
Relatórios
“Essa mudança que querem fazer na regulação da telefonia fixa é uma doação mais escandalosa do que foi a privatização, são 100 bilhões de reais”, afirma Rogério Santanna, presidente da Telebras de maio de 2010 a maio de 2011 durante uma tentativa petista de ressuscitá-la. “É para resolver o problema da Oi, que vendeu todos os seus bens reversíveis, e da Anatel, que permitiu tudo, com ações e omissões. As irregularidades serão todas legalizadas, ninguém vai pagar por nada.”
Procurada, a Oi não quis comentar problemas com bens reversíveis. Irregularidades à parte, a mudança de regras gera polêmica. O SindiTelebrasil, sindicato das empresas, defende o fim das concessões e da devolução de bens, modelo nascido de um projeto de 2015 do deputado Daniel Vilela, do PMDB de Goiás, e agora encampado pelo governo.
Acha que é o maior avanço setorial desde a LGT, capaz de destravar investimentos em banda larga, a contrapartida ao “presente”, com melhora na qualidade e no alcance. O ministro Kassab, das Comunicações, prevê aportes de 50 bilhões de reais. Foi um senador do partido dele, Otto Alencar, do PSD da Bahia, quem deu a feição final ao projeto, em dezembro, antes de a oposição acionar o STF para que houvesse uma votação plenária previamente à sanção de Temer.
Rocha Júnior
Olhar atento. Rocha Júnior viu 'vantagem individa' e acusou Anatel de não ter histórico convincente em cobranças diversas
Kassab é apontado como “lobista” do projeto, juntamente com Quadros, da Anatel, em um pedido levado pela Proteste ao Ministério Público em 28 de dezembro para que a dupla seja investigada. Para a entidade, a proposta vai gerar “vultoso e irreparável prejuízo” à sociedade, em virtude da transferência de bilhões em patrimônio público, e “vantagem ilegal” às atuais concessionárias, as quais assumiram a telefonia fixa no passado por um valor que seria superior, caso o contrato não contivesse a cláusula dos bens irreversíveis. Não só: a permuta “bens reversíveis e concessão” por “investimentos em banda larga” seria frágil e ameaçaria a democratização da internet veloz, um ditame do Marco Civil da Internet, de 2014.
A representação da Proteste foi encaminhada ao chefe do MP no Distrito Federal, Marcus Marcelus Gonzaga Goulart. O substituto eventual de Goulart, procurador Paulo José Rocha Júnior, participou de uma audiência pública na Câmara em outubro e bateu no projeto.
Vê “vantagem indevida” às atuais concessionárias e uma “doação com encargo (promessa de investimentos)” sem garantia de que o “encargo” sairá do papel, pois “a Anatel não tem um histórico bom de cobrança de metas e investimentos”, como demonstrado na fusão Oi-BrasilTelecom. Por sua situação pré-falimentar, a Oi seria, aliás, mais uma preocupação quanto ao modelo proposto.
Se os bens reversíveis se tornarem propriedade da empresa, disse Rocha Júnior, poderão ser confiscados pela Justiça para o pagamento de credores, uma ameaça à continuidade da prestação de serviços de telefonia fixa. 
FHC
Orgulhoso. FHC disse ter arrecadado 22 bilhões em um leilão que começava por 13, mas o patrimônio da Telebras era de 32 bi (Walmor Carvalho/Fotoarena)
O magistrado responsável pela recuperação judicial por ora demonstra atenção ao tema. Em um despacho de 14 de julho, o juiz Fernando Viana, da 7a Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio, anotou o óbvio: venda de bens reversíveis controlados pela Oi só com autorização da Anatel. Mais: “Há que se determinar idêntica providência no que se refere a uma pretensa alteração do controle das empresas do Grupo Oi”.
O TCU também pega no pé. Uma investigação sigilosa aberta em maio passado para acompanhar discussões sobre nova regulação da telefonia fixa apontou “risco de dano ao Erário” com a pretendida permuta entre o fim das concessões em troca de investimentos em banda larga.
Isso porque os cálculos do montante dos investimentos dependeriam de um encontro de contas sem parâmetros claros. Quem é do ramo e viu o projeto diz que a definição de “bens reversíveis” no texto deu uma diferença de bilhões de reais em favor das teles, ao excluir fibras ópticas das contas.
Com tantos rolos e benesses envolvidos, entende-se por que o Senado recebeu o projeto enviado pela Câmara em 30 de novembro, tenha providenciado um relatório (obra de Otto Alencar) em 1o de dezembro, aprovado o texto em uma comissão no dia 6 e despachado à sanção de Temer sem passar pelo plenário.
Uma proposta espantosa como esta terá dificuldade de resistir a um debate à luz do dia. Está nas mãos de Cármen Lúcia, presidente do STF, decidir se o plenário do Senado terá ou não de votar a lei. Ou se Temer já pode preparar a caneta para sancionar o presentão às teles. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Dilma Vana Rousseff, estadista

Dilma toma posse em janeiro de 2011 não em companhia de um primeiro-cavalheiro, mas da filha Paula
Dilma Vana Rousseff toma posse em janeiro de 2011 não em companhia de um primeiro-cavalheiro, mas da filha Paula
Em 2010, a tradicional família brasileira foi submetida à traumática experiência de ter de aceitar, pela primeira vez, a eleição de uma mulher para a presidência da República. A porção tradicionalista, reacionária, machista e misógina do país não pôde evitar o ato consumado. Mas reagiu de pronto, de duas maneiras iniciais.
De chofre, o sempre ditatorial partido da imprensa conservadora providenciou uma série de denúncias de corrupção contra o governo de Dilma Vana Rousseff. Ela reagiu prontamente, demitindo ministros suspeitos, um após o outro. Desconcertado, o partido da imprensa misógina entrou de sola com sua segunda ação, rotulando a presidentA (que jamais chamou de presidentA) de “faxineira”.
Diante do fracasso da primeira estratégia, a segunda manteve oculto o tiro no pé. A suposta diminuição da presidentA à condição habitualmente subalterna de “faxineira” escondeu, mal e porcamente, o fundo misógino, racista e classista da reação dos reacionários. A existência, anos mais tarde, do filme Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert, seria um dos calmos revides à primeira onda misógina antiDilma, aquela que pretendia “reduzir” a presidentA, mandatária máxima, a subserviente e obediente “faxineira”.
A estudante Jessica (Paula?) e a faxineira Val (Dilma?), mulheres protagonistas de "Que Horas ela Volta?"
A estudante Jessica (Paula?) e a faxineira Val (Dilma Vana?), mulheres protagonistas de “Que Horas ela Volta?”
A reação submergiu diante da competência da “faxineira”. Dilma viveu um primeiro mandato presidencial estranhamente tranquilo. Por vezes até governou em paz, enquanto o partido da imprensa inconformada mirava flechas de curare em Luiz Inácio Lula da Silva, o pai da filha política, pai da própria mãe. Embora estranhássemos, todas nós sabíamos que o partido da imprensa reacionária não hibernava. Mais cedo ou mais tarde, mostraria suas garras.
Aconteceu em 2014. A fúria reativa ergueu uma montanha durante a campanha de reeleição da que não deveria ter sido eleita, matando o suposto esquerdista Eduardo Campos e ressuscitando a suposta mulher Marina Silva, entre outras “façanhas” grotescas, tudo para não permitir a recondução da que não deveria ter sido conduzida.
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Marina Silva solta os cabelos para Aécio Neves da Cunha, ao consumar apoio ao próprio algoz no segundo turno da eleição de 2014
O plano deu certo, num primeiro momento: a mulher beijada Marina serviu de escada subserviente para que o homem beijoqueiro Aécio Neves (uma nulidade política) ascendesse ao segundo turno e usurpasse a noiva (a República). Mas a montanha não conseguiu eleger o camundongo.
Com capa falsificada da Veja e tudo, deu tudo errado. A mulher que nem deveria ter sido eleita terminou reeleita, frustrando o minucioso golpe de recaptura do controle do país pelo partido do empresariado machista-católico-regressista.
Dilma Vana Rousseff toma posse outra vez em janeiro de 2015, outra vez ao lado da filha Paula
Dilma Vana Rousseff toma posse outra vez em janeiro de 2015, outra vez ao lado da filha Paula
Aí a misoginia começou a enlouquecer, anabolizada pelo fato de que o assalto havia conseguido estreitar a margem de vitória e, assim, encolher o poder de fato da re-escolhida. A direita golpista agradeceu silenciosamente, sem muita gratidão, à esquerda antiDilma, ao partido do muro eterno, à blogosfera regressista, às cada dia menos femininas marias-vão-com-os-outros. A redução da margem de poder era boa, mas estava longe de ser suficiente para quem apostara tudo na derrota ainda “legítima” e “institucional” da bruxa inimiga.
A nação de meninos mimados emburrados começou a vir à tona. O reacionarismo começou a virar hospício. Os machos reacionários dupla e tripla e quadruplamente perdedores soltaram o pino.
Dois segundos depois da reeleição, havia gente (não só na direita e no partido da imprensa escravagista, mas até mesmo na chamada blogosfera macho-progressista) garantindo que a reeleita não tomaria posse, não conseguiria governar, não teria um minuto de paz, não governaria.
Dito e feito.
A guerrilha de desgaste foi, pouco a pouco, se transformando em guerra aberta, político-jurídico-midiática. Me abstenho de relembrar o último ano e quatro meses, que está nítido nas nossas memórias de sofredoras.
Corto para o dia em que Dilma deixou o vice decorativo Michel Temer cuidando da casa e viajou para o coração do GOLPE, Nova York, para discursar na Organização das Nações Unidas: 22 de abril de 2016, aniversário de 516 anos do “descobrimento “do BraZil.
Dilma Vana fala sobre o clima
Dilma Vana fala sobre o clima na convenção sobre o clima
Serena. Calma. Tranquila. Ponderada. Controlada. Moderada. Para alívio momentâneo da direita hidrófoba e surto automático de esquerdas misóginas que desde janeiro de 2011 não confiam um milímetro em seu governo, Dilma não usou a tribuna internacional para desvio de rota, pedido esmolambado de socorro ou plataforma de chororô. Agiu como a estadista que, dia após dia, noite após noite, tem revelado ser.
Na serenidade da resistência em fogo brando, expôs mais uma vez o descontrole do partido da imprensa golpista (de direita e de esquerda e de centro) e do partido da Fiesp (Federação das Indústria de São Paulo = Rede Globo), o PCO, Partido do Crime Organizado.
Não importa um milímetro que a revista-panfleto Istoé xingue Dilma e a difame como louca furiosa. A cada dia, mais gente (sobretudo gentes de gênero feminino) compreende quem é que está louco, furioso, descontrolado, em combustão espontânea: são os (predominantemente) machos que até hoje não se conformaram nenhum segundo sequer com a eleição da eleita e reeleita.
Coisas estranhas acontecem enquanto Dilma esbanja serenidade e maturidade diante da brutal ameaça de assalto ao símbolo que é, de violência anti-institucional e de estupro à figura que representa. Brinquemos de fazer listinha.
Michel Temer se comporta como estadista para garantir a vaga de Dilma em não-eleição indireta
Michel Temer se comporta como estadista para garantir a vaga de Dilma em não-eleição indireta
Candidato a usurpador, o vice-presidente golpista da República sai de carro semi-escondido, descabelado, esbugalhado, esquecido de plantar pancake no rosto betuminoso.